Santíssimo Padre, senhoras e senhores, em seus cargos e qualidades,
É para a República Francesa uma grande honra e também uma grande alegria recebê-lo hoje em nosso solo. Uma grande honra e uma grande alegria porque, confrontados tantas vezes com o espetáculo das misérias do mundo, muitos de nossos compatriotas sentem, com a sua visita à França, uma esperança.
Sim, como se diz no Eclesiastes, não devemos nos entristecer como aqueles que não têm esperança, e é um sentimento que, eu sei, o senhor compartilha. Aqui está o senhor, 18 meses depois do início de seu pontificado. E aqui está para um tempo longo que nos oferece e que nos toca. É aqui que começa este caminho de fé, se assim posso dizer, que vai levá-lo do coração de Paris a Notre-Dame, do Eliseu à UNESCO, da praça da Concorde a Saint-Denis, do Stade de France à Maison Bakhita, de Lourdes, cidade de Bernadette Soubirous, a Metz, encruzilhada das memórias cristãs de nossa Europa. Etapas que revelam seu vínculo pessoal com o nosso país. Santíssimo Padre, temos orgulho de suas raízes normandas. E o senhor verá que encontramos até raízes bearnesas e bigordanas.
Etapas como episódios que contam também esta história tão particular que liga o cristianismo ao nosso país. História duas vezes milenar, de que dão testemunho estas paisagens da França, semeadas de catedrais, basílicas, igrejas, monumentos vindos do fundo dos tempos, dons inestimáveis daqueles que nos precederam e que faziam de nosso país uma certa ideia. Foi longo esse tempo em que a religião cristã, ambiciosa de ser a arquiteta do universal, guiava nossos antepassados a talhar a pedra, para deixar inscrita na corrente dos tempos a marca visível de seu ideal. Crer é criar. E foi em nome dessa herança que trabalhamos, depois do terrível incêndio de Notre-Dame de Paris, para que ela pudesse ser reconstruída em cinco anos e devolvida não só aos católicos, mas a todos os franceses e, para além, ao mundo inteiro; e tantos talentos, artesãos, aprendizes e voluntários se dedicaram a isso com essa esperança fincada no coração.
Pois Notre-Dame é uma parte de nós, um emblema desta vontade tão francesa de oferecer ao mundo todas as belezas que o espírito humano pode gerar quando movido por um ideal de fraternidade universal. Sim, esta história duas vezes milenar criou um vínculo singular entre a França e a Igreja católica. E quando a República decidiu, há pouco mais de 120 anos, a separação entre a Igreja e o Estado, deu forma a uma laicidade francesa que não é de modo algum a negação da religião. A República faz um dever de permitir a cada uma e a cada um, em consciência, pensar e exprimir seu ponto de vista em todas as esferas de sua existência, crer ou não crer, na intimidade como na esfera pública, desde que se respeitem as leis. É nesse quadro, Santíssimo Padre, que o senhor solicitará a consciência de todos os franceses que se associam, em pensamento e em ação, àquilo que o senhor representa, a eles e a todos os que, na França como em outros lugares, estão atentos ao que o senhor tem a dizer ao mundo, e disso me alegro.
A República também vigia. Há 15 anos, os atos cometidos contra pessoas ou bens em razão de sua religião conheceram, infelizmente, um recrudescimento. E essas insuportáveis demonstrações de intolerância ferem a religião cristã no coração. As comunidades judaica e muçulmana também são vítimas delas. E é um combate essencial o que travamos e travaremos para proteger os lugares de culto, continuar a formar os espíritos para a tolerância, ao mesmo tempo em que incentivamos o diálogo inter-religioso, tão vivo em nosso país.
A busca da paz em todas as frentes é uma necessidade existencial. E não há católico que não possa ser sensível a esse combate pelo bem comum. E acrescento: nem um judeu, nem um muçulmano, nem um protestante, nem um ortodoxo ou um budista. Não há ninguém na França, crente ou não, que possa recusar-se a fazer sua essa busca. A paz é também esse horizonte pelo qual trabalhamos juntos. O senhor colocou os primeiros meses de seu pontificado sob o signo de uma paz desarmada e desarmante. Exigência que ganha uma força particular enquanto a guerra fere o nosso continente e por toda parte ressurgem tensões e conflitos. Exigência que lembra também que a paz é mais do que o silêncio das armas e que supõe justiça, segurança, respeito aos direitos humanos, soberania das nações e o direito dos povos de dispor de si mesmos. E, mais fundamentalmente, a capacidade de reconhecer o outro por aquilo que ele entende ser.
A França se coloca do lado da paz, do multilateralismo de ação, do respeito ao direito internacional e à carta das Nações Unidas. E a isso nos atemos em toda parte, sem dois pesos e duas medidas, com coerência e constância, porque uma vida vale uma vida e todos os povos devem ser defendidos.
Esse combate pela paz é inseparável do combate pela dignidade humana e da luta contra as injustiças. Em toda parte, são sempre os mais frágeis que pagam o preço das crises e dos conflitos, que obrigam tantas mulheres e homens a fugir de seu país. Na Maison Bakhita, o senhor vai encontrar aqueles e aquelas que acolhem os exilados, os mais pobres, os mais isolados. Ali, mais uma vez, a República e a Igreja cruzam muitas vezes os mesmos rostos. O rosto daqueles que precisamos ver de frente, o rosto daqueles cuja voz custa a se fazer ouvir, dos que nos lembram a exigência de fraternidade, aquela mesma que faz do outro seu irmão na República, essa atenção que devemos aos mais frágeis.
E quero saudar aqui o empenho cotidiano de tantos franceses, voluntários, associações, sobretudo cristãs, que servem diariamente ao próximo. Sua dedicação, sua solidariedade dizem um formidável impulso de esperança. Assim como quero saudar o empenho de todos os que contribuem para a educação de nossas crianças, seja no ensino público, seja no ensino privado de nosso país. Todos estão também a serviço da defesa do bem comum que compartilhamos para além das fronteiras, o nosso planeta e o vivente.
É por isso que a França defendeu o Acordo de Paris há 11 anos e lutou para obter o Acordo sobre os Oceanos no ano passado. É por isso, também, que continuamos a defender o Pacto de Paris para os Povos e o Planeta, para que nenhum país tenha de retardar sua transição por falta de meios, nem de escolher entre seu desenvolvimento e a preservação do planeta e do vivente. Clima e biodiversidade irrigam as escolhas de nosso século. A Igreja católica, com o papa Francisco e depois com o senhor mesmo, sempre o lembrou sem ambiguidade. Somos gratos por isso. Não é apenas uma questão de tecnologia ou de ajuste. Isso revela a nossa maneira de habitar o mundo, de nele produzir, de consumir, de conceber juntos o caminho do progresso humano. Tal é a nossa responsabilidade comum. E ela não para por aí.
As rupturas tecnológicas de nossa época correm o risco de gerar rupturas antropológicas inéditas. O ser humano não deve ser preso pelo digital, mas libertado. Questão vertiginosa para a nossa geração, porque toca não só naquilo que fazemos, mas ainda mais no essencial, naquilo que somos.
A inteligência artificial já transforma o trabalho, a criação, a pesquisa, a educação, a informação, o laço social. Ela multiplica nossas capacidades, mas substitui o juízo pela previsão, a consciência pelo desempenho, e nos leva a delegar uma parte de nossa liberdade.
Desde os primeiros meses de seu pontificado, o senhor lhe dedicou a encíclica Magnifica Humanitas. E essa mensagem é essencial. Diante da potência da maquinaria digital, o ser humano deve guardar o lugar que é o seu. A inteligência artificial deve ser um servidor, e não um senhor. A revolução digital deve impulsionar, e não acorrentar. Cabe-nos, portanto, a responsabilidade de não permitir que os modelos mais poderosos fiquem em poucas mãos que teriam de decidir por toda a humanidade, nem que esses avanços mais exponenciais nos levem a perder o controle.
É por isso que precisamos encontrar o caminho de uma organização internacional que reconcilie progresso tecnológico, justiça e humanismo. Da mesma forma, como estamos fazendo com as redes sociais, precisamos proteger nossas crianças e acompanhar nossos adolescentes. Seu desenvolvimento afetivo e cognitivo supõe, de fato, protegê-los para poder transmitir e prepará-los para a vida.
A leitura, o aprendizado, as artes e a cultura, o esporte e o tempo com os outros são tesouros a lhes dar e a proteger das telas, dos algoritmos e das chatbots. Proteger nossas crianças, acompanhar nossa juventude em suas interrogações e acolher sua necessidade de sentido e seu engajamento são os nossos mais belos deveres.
A vigília dos jovens que o senhor vai presidir no Stade de France terá uma força muito particular. Milhares de jovens estarão ali em busca de uma palavra de responsabilidade e de lúcida esperança. Sua sede de engajamento diz toda a sua vitalidade. Eles não pedem que se lhes prometa um mundo fácil; pedem para poder construir um mundo melhor.
Santíssimo Padre, durante sua visita, o senhor vai encontrar a França, país da diversidade, como dizia um de nossos maiores historiadores, Fernand Braudel. E é precisamente porque é pátria de liberdade e de espírito que a França é diversa, nação que nutre uma paixão particular pelo debate permanente. Assim é preciso considerá-la para bem amá-la. Os grandes debates sociais e da sociedade destes últimos anos o atestam. A ética é um de nossos grandes temas franceses. Onde está a fronteira entre o bem e o mal? Como conciliar os progressos tecnológicos, nossa consciência e nosso apego à dignidade humana? Assim estamos sempre atentos a todas as respostas que se possam dar a essas questões fundamentais.
E fique certo, Santíssimo Padre, de que todos os franceses, eu o primeiro, o escutarão com o maior interesse. Quero reafirmar-lhe meu apego a essa escuta, que tem por vocação nutrir um diálogo exigente com a Igreja católica, como com todos os outros cultos, com os crentes como com os não crentes, com todas as tradições filosóficas e humanistas que fazem o nosso país. Porque a República não teme as consciências livres, porque a nossa nação é forte do diálogo necessário entre todas as opiniões, permanecendo fiel ao nosso humanismo, ao nosso apego à dignidade humana, fundando nossas decisões na ciência e velando, ao mesmo tempo, pelos mais frágeis.
Santíssimo Padre, faço o voto de que estes poucos dias lhe permitam encontrar a França em toda a sua verdade, suas forças, sua diversidade, seus debates. Uma França marcada pela espiritualidade e sempre em busca do universal. Uma França emancipada, apegada ao seu projeto de liberdade, igualdade e fraternidade, diversa e unida. Uma França engajada, sensível à sua presença, e cujo fervor o senhor sentirá. Santíssimo Padre, é essa França que o recebe hoje com muita humildade, com muita honra e uma grande alegria. Seja bem-vindo.
Très Saint-Père, Mesdames et Messieurs en vos grades et qualités,
C'est pour la République française un grand honneur et aussi une grande joie que de vous accueillir aujourd'hui sur notre sol. Un grand honneur et une grande joie en ce que, confrontés souvent au spectacle des misères du monde, beaucoup de nos compatriotes ressentent, avec votre visite en France, une espérance.
Oui, comme il est dit dans l'Ecclésiaste, il ne faut pas s'attrister comme ceux qui n'ont pas d'espérance, et c'est un sentiment, je le sais, que vous partagez. Vous voici, 18 mois après le commencement de votre pontificat. Et vous voici pour un temps long que vous nous offrez et qui nous touche. C'est ici que débute ce chemin de foi, si j'ose dire, qui va vous mener du cœur de Paris à Notre-Dame, de l'Elysée à l'UNESCO, de la place de la Concorde à Saint-Denis, du Stade de France à la Maison Bakhita, de Lourdes, ville de Bernadette Soubirous, à Metz, carrefour des mémoires chrétiennes de notre Europe. Autant d'étapes qui disent votre lien personnel avec notre pays. Très Saint-Père, nous sommes fiers de vos racines normandes. Et vous verrez que nous avons même trouvé des racines béarnaises et bigourdanes.
Autant d'étapes comme autant d'épisodes qui racontent aussi cette histoire si particulière qui lie le christianisme à notre pays. Histoire deux fois millénaire, dont témoignent ces paysages de France, parsemés de cathédrales, basiliques, églises, monuments venus du fond des âges, inestimables dons de ceux qui nous ont précédés et qui se faisaient de notre pays une certaine idée. Il fut long. Ce temps où la religion chrétienne, ambitieuse d'être l'architecte de l'universel, guidait nos ancêtres à tailler la pierre, afin de laisser inscrite dans la chaîne des temps la trace visible de leur idéal. Croire, c'est créer. Et c'est au nom de cet héritage que nous avons œuvré, après le terrible incendie de Notre-Dame de Paris, pour qu'elle puisse être rebâtie en cinq ans et rendue non seulement aux catholiques, mais à tous les Français et au-delà encore au monde entier, et tant de talents, d'artisans, d'apprentis, de bénévoles, s'y sont donnés avec cette espérance chevillée au cœur.
Car Notre-Dame est une part de nous, un emblème de cette volonté si française d'offrir au monde toutes les beautés que peut engendrer l'esprit humain dès lors qu'il est mu par un idéal de fraternité universelle. Oui, cette histoire deux fois millénaire a créé un lien singulier entre la France et l'Église catholique. Et lorsque la République décida, il y a un peu plus de 120 ans, de la séparation entre l'Église et l'État, elle donna forme à une laïcité française qui n'est nullement la négation de la religion. La République se fait un devoir de permettre à chacune et à chacun en conscience de penser et d'exprimer son point de vue dans toutes les sphères de son existence, de croire ou de ne pas croire, dans l'intimité comme dans la sphère publique, à condition d'en respecter les lois. C'est dans ce cadre, très Saint-Père, que vous solliciterez la conscience de tous les Français qui s'associent en pensée et en action à ce que vous représentez, à eux, à tous ceux qui, en France comme ailleurs, sont attentifs à ce que vous avez à dire au monde, et je m'en réjouis.
La République veille aussi. Depuis 15 ans, les actes commis à l'encontre de personnes ou de biens en raison de leur religion ont malheureusement connu une recrudescence. Et ces insupportables démonstrations d'intolérance frappent la religion chrétienne au cœur. Les communautés juives et musulmanes en sont aussi victimes. Et c'est un combat essentiel que nous menons et mènerons pour protéger les lieux de culte, continuer de former les esprits à la tolérance, en même temps que nous encourageons le dialogue interreligieux si vivant dans notre pays.
La quête de la paix sur tous les fronts est une nécessité existentielle. Et il n'est pas un catholique qui ne puisse être sensible à ce combat pour le bien commun. Et j'ajouterai, pas un juif, pas un musulman, pas un protestant, ni un orthodoxe ou un bouddhiste. Il n'est personne en France, croyant ou non, qui puisse refuser de faire sienne cette quête. La paix est aussi cet horizon pour lequel nous œuvrons ensemble. Vous avez placé les premiers mois de votre pontificat sous le signe d'une paix désarmée et désarmante. Exigence qui prend une force particulière alors que la guerre meurtrit notre continent et que partout tensions et conflits ressurgissent. Exigence qui rappelle aussi que la paix est davantage que le silence des armes et qu'elle suppose justice, sécurité, respect des droits de l'homme, souveraineté des nations, et droit des peuples à disposer d'eux-mêmes. Et plus fondamentalement la capacité à reconnaître l'autre pour ce qu'il entend être.
La France se tient du côté de la paix, du multilatéralisme d'action, du respect du droit international et de la charte des Nations Unies. Et nous nous y tenons partout, sans double standard, avec cohérence et constance, car une vie vaut une vie et tous les peuples sont à défendre.
Ce combat pour la paix est inséparable de celui pour la dignité humaine et la lutte contre les injustices. Partout, ce sont toujours les plus fragiles qui paient le prix des crises et des conflits, qui contraignent tant de femmes et d'hommes à fuir leur pays. A la maison Bakhita, vous rencontrerez celles et ceux qui accueillent les exilés, les plus pauvres, les plus isolés. Là encore, la République et l'Église croisent souvent les mêmes visages. Le visage de ceux qu'il nous faut voir en face, le visage de ceux dont la voix peine à porter, de ceux qui nous rappellent l'exigence de fraternité, celle-là même qui fait de l'autre son frère en République, cette attention que nous devons aux plus fragiles.
Et je veux saluer ici l'engagement quotidien de tant de Français, de bénévoles, d'associations et notamment chrétiennes qui servent quotidiennement leurs prochains. Leur dévouement, leur solidarité disent un formidable élan d'espoir. Comme je veux saluer l'engagement de tous ceux qui contribuent à l'éducation de nos enfants, qu'il s'agisse de l'enseignement public ou de l'enseignement privé dans notre pays. Tous sont aussi au service de la défense du bien commun que nous partageons par-delà les frontières, notre planète et le vivant.
C'est pour cela que la France a porté l'Accord de Paris il y a 11 ans et s'est battue pour obtenir l'Accord sur les océans l'année dernière. C'est pour cela aussi que nous continuons de défendre le pacte de Paris pour les peuples et la planète, afin que nul pays n'ait à retarder sa transition faute de moyens, ni à choisir entre son développement et la préservation de la planète et du vivant. Climat et biodiversité irriguent les choix de notre siècle. L'Église catholique, avec le pape François, puis avec vous-même, l'a toujours rappelé sans ambiguïté. Nous vous en rendons grâce. Ce n'est pas seulement affaire de technologie ou d'ajustement. Cela révèle notre manière d'habiter le monde, d'y produire, de consommer, de concevoir ensemble la voie du progrès humain. Telle est notre responsabilité commune. Et elle ne s'arrête pas là.
Les ruptures technologiques de notre époque risquent d'engendrer des ruptures anthropologiques inédites. L'être humain ne doit pas être lié par le numérique, mais libéré. Question vertigineuse pour notre génération, parce qu'elle touche non seulement à ce que nous faisons, mais plus encore à l'essentiel, à ce que nous sommes.
L'intelligence artificielle bouleverse déjà le travail, la création, la recherche, l'éducation, l'information, le lien social. Elle décuple nos capacités mais substitue la prédiction au jugement, la performance à la conscience et nous conduit à déléguer une part de notre liberté.
Dès les premiers mois de votre pontificat, vous lui avez consacré l'encyclique Magnifica Humanitas. Et ce message est essentiel. Face à la puissance de la machinerie numérique, l'être humain doit garder la place qui est la sienne. L'intelligence artificielle doit être un serviteur et non un maître. La révolution numérique doit entraîner et non enchaîner. La responsabilité nous revient donc de ne pas permettre que les modèles les plus performants ne se retrouvent entre quelques mains qui auraient à décider pour toute l'humanité, ni que ces avancées les plus exponentielles ne nous conduisent à perdre le contrôle.
C'est pour cela que nous devons trouver la voie d'une organisation internationale réconciliant progrès technologique, justice et humanisme. De la même manière, comme nous sommes en train de le faire pour les réseaux sociaux, il nous faut protéger nos enfants et accompagner nos adolescents. Leur développement affectif et cognitif suppose en effet de les protéger pour pouvoir transmettre et les préparer à la vie.
La lecture, l'apprentissage, les arts et la culture, le sport et le temps avec les autres sont des trésors à leur donner et à protéger des écrans, des algorithmes, comme des chat-box. Protéger nos enfants, accompagner notre jeunesse dans ses interrogations et accueillir son besoin de sens et son engagement sont nos plus beaux devoirs.
La veillée des jeunes que vous présiderez au Stade de France aura une force toute particulière. Des milliers de jeunes y seront en demande d'une parole de responsabilité et de lucide espérance. Leur soif d'engagement dit toute leur vitalité. Ils ne demandent pas qu'on leur promette un monde facile, ils demandent à pouvoir bâtir un monde meilleur.
Très Saint-Père, lors de votre visite, vous allez rencontrer la France, pays de la diversité, comme le disait l'un de nos plus grands historiens, Fernand Braudel. Et c'est précisément parce qu'elle est patrie de liberté et d'esprit que la France est diverse, Nation qui nourrit une passion particulière pour le débat permanent. Ainsi faut-il la considérer pour bien l'aimer. Les grands débats sociaux et sociétaux de ces dernières années en attestent. L'éthique est l'un de nos grands sujets français. Où est la frontière entre le bien et le mal ? Comment concilier les progrès technologiques, notre conscience, notre attachement à la dignité humaine ? Ainsi sommes-nous attentifs toujours à toutes les réponses qui peuvent être apportées à ces questions fondamentales.
Et soyez assuré, très Saint-Père, que tous les Français, moi le premier, vous écouteront avec le plus grand intérêt. Je veux vous redire mon attachement à cette écoute qui a pour vocation de nourrir un dialogue exigeant avec l'Eglise catholique, comme avec tous les autres cultes, avec les croyants, comme avec les non-croyants, avec toutes les traditions philosophiques et humanistes qui font notre pays. Parce que la République ne craint pas les consciences libres, parce que notre Nation est forte du dialogue nécessaire entre toutes les opinions, en demeurant fidèle à notre humanisme, notre attachement à la dignité humaine, en fondant nos décisions sur la science, tout en veillant aux plus fragiles.
Très Saint-Père, je forme le vœu que ces quelques jours vous permettent de rencontrer la France dans toute sa vérité, ses forces, sa diversité, ses débats. Une France empreinte de spiritualité et cherchant toujours l'universel. Une France émancipée, attachée à son projet de liberté, d'égalité et de fraternité, diverse et unie. Une France engagée, sensible à votre présence et dont vous sentirez la ferveur. Très Saint-Père, c'est cette France qui vous reçoit aujourd'hui avec beaucoup d'humilité, avec beaucoup d'honneur et une très grande joie. Soyez le bienvenu.
Most Holy Father, ladies and gentlemen in your ranks and offices,
For the French Republic it is a great honour and also a great joy to welcome you today on our soil. A great honour and a great joy in that, often confronted with the spectacle of the world's miseries, many of our fellow citizens feel, with your visit to France, a sense of hope.
Yes, as it is said in Ecclesiastes, we must not grieve like those who have no hope, and it is a feeling that, I know, you share. Here you are, 18 months after the beginning of your pontificate. And here you are for a long stay that you offer us and that touches us. It is here that this path of faith begins, if I may say so, one that will take you from the heart of Paris to Notre-Dame, from the Élysée to UNESCO, from the Place de la Concorde to Saint-Denis, from the Stade de France to the Maison Bakhita, from Lourdes, the town of Bernadette Soubirous, to Metz, a crossroads of the Christian memories of our Europe. So many stages that speak of your personal bond with our country. Most Holy Father, we are proud of your Norman roots. And you will see that we have even found Béarnese and Bigorre roots.
So many stages, like so many episodes, that also tell this very particular history that binds Christianity to our country. A history two thousand years old, to which these landscapes of France bear witness, dotted with cathedrals, basilicas, churches and monuments come down from the depths of the ages, priceless gifts from those who came before us and who held a certain idea of our country. It was a long era in which the Christian religion, ambitious to be the architect of the universal, guided our ancestors to carve stone, so as to leave inscribed in the chain of time the visible mark of their ideal. To believe is to create. And it is in the name of this heritage that we worked, after the terrible fire at Notre-Dame de Paris, so that it could be rebuilt in five years and given back not only to Catholics, but to all the French and, beyond, to the whole world; and so many talents, craftsmen, apprentices and volunteers gave themselves to it with that hope anchored in their hearts.
For Notre-Dame is a part of us, an emblem of this so very French will to offer the world all the beauty that the human spirit can create when moved by an ideal of universal fraternity. Yes, this two thousand year old history created a singular bond between France and the Catholic Church. And when the Republic decided, a little more than 120 years ago, on the separation of Church and State, it gave form to a French secularism that is in no way the negation of religion. The Republic makes it its duty to allow each and every person, in conscience, to think and express their point of view in all spheres of their existence, to believe or not to believe, in private as in the public sphere, provided the laws are respected. It is within this framework, Most Holy Father, that you will address the conscience of all the French who associate themselves, in thought and in action, with what you represent, and of all those who, in France as elsewhere, are attentive to what you have to say to the world, and I rejoice in that.
The Republic also stands watch. For 15 years, acts committed against persons or property because of their religion have unfortunately increased. And these unbearable displays of intolerance strike the Christian religion at its heart. The Jewish and Muslim communities are also victims of them. And it is an essential fight that we wage and will wage to protect places of worship and to keep forming minds for tolerance, while we encourage the interfaith dialogue that is so alive in our country.
The pursuit of peace on every front is an existential necessity. And there is not a Catholic who cannot be moved by this fight for the common good. And I will add, not a Jew, not a Muslim, not a Protestant, nor an Orthodox or a Buddhist. There is no one in France, believer or not, who can refuse to make this pursuit their own. Peace is also that horizon towards which we work together. You placed the first months of your pontificate under the sign of a peace that is disarmed and disarming. A demand that takes on particular force while war wounds our continent and tensions and conflicts resurge everywhere. A demand that also reminds us that peace is more than the silence of weapons and that it requires justice, security, respect for human rights, the sovereignty of nations, and the right of peoples to self-determination. And, more fundamentally, the capacity to recognise the other for what he means to be.
France stands on the side of peace, of a multilateralism of action, of respect for international law and the Charter of the United Nations. And we hold to this everywhere, without double standards, with coherence and constancy, because one life is worth a life and all peoples must be defended.
This fight for peace is inseparable from the fight for human dignity and the struggle against injustice. Everywhere, it is always the most fragile who pay the price of crises and conflicts, which force so many women and men to flee their country. At the Maison Bakhita, you will meet those who welcome the exiled, the poorest, the most isolated. There again, the Republic and the Church often meet the same faces. The face of those we must look at squarely, the face of those whose voice struggles to carry, of those who remind us of the demand of fraternity, the very one that makes the other a brother in the Republic, that attention we owe to the most fragile.
And I want to salute here the daily commitment of so many French people, of volunteers, of associations, notably Christian ones, who serve their neighbours every day. Their devotion and their solidarity speak of a formidable surge of hope. Just as I want to salute the commitment of all those who contribute to the education of our children, whether in public or in private schooling in our country. All are also at the service of defending the common good that we share beyond borders, our planet and the living world.
That is why France championed the Paris Agreement 11 years ago and fought to obtain the Agreement on the Oceans last year. That is also why we continue to defend the Paris Pact for People and the Planet, so that no country has to delay its transition for lack of means, nor to choose between its development and the preservation of the planet and the living world. Climate and biodiversity irrigate the choices of our century. The Catholic Church, with Pope Francis and then with you, has always recalled this without ambiguity. We are grateful for it. It is not only a matter of technology or of adjustment. It reveals our way of inhabiting the world, of producing and consuming in it, of conceiving together the path of human progress. Such is our common responsibility. And it does not stop there.
The technological ruptures of our era risk generating unprecedented anthropological ruptures. The human being must not be bound by the digital, but set free. A dizzying question for our generation, because it touches not only on what we do, but even more on the essential, on what we are.
Artificial intelligence is already upending work, creation, research, education, information and the social bond. It multiplies our capacities but substitutes prediction for judgment, performance for conscience, and leads us to delegate a part of our freedom.
From the very first months of your pontificate, you devoted to it the encyclical Magnifica Humanitas. And this message is essential. Faced with the power of the digital machinery, the human being must keep the place that is his. Artificial intelligence must be a servant and not a master. The digital revolution must carry us forward and not chain us. It therefore falls to us not to allow the most powerful models to end up in a few hands that would have to decide for all humanity, nor to let these most exponential advances lead us to lose control.
That is why we must find the path of an international organisation reconciling technological progress, justice and humanism. In the same way, as we are doing for social networks, we must protect our children and support our adolescents. Their emotional and cognitive development indeed requires that we protect them so as to be able to transmit and to prepare them for life.
Reading, learning, the arts and culture, sport and time with others are treasures to give them and to protect from screens, from algorithms and from chatbots. Protecting our children, supporting our young people in their questions and welcoming their need for meaning and their commitment are our finest duties.
The vigil of young people that you will preside over at the Stade de France will have a very particular strength. Thousands of young people will be there seeking a word of responsibility and of lucid hope. Their thirst for commitment speaks of all their vitality. They do not ask that an easy world be promised to them; they ask to be able to build a better world.
Most Holy Father, during your visit, you will meet France, a country of diversity, as one of our greatest historians, Fernand Braudel, put it. And it is precisely because it is a homeland of freedom and of the spirit that France is diverse, a Nation that nurtures a particular passion for permanent debate. This is how it must be regarded in order to love it well. The great social and societal debates of these recent years bear witness to it. Ethics is one of our great French subjects. Where is the border between good and evil? How can we reconcile technological progress, our conscience and our attachment to human dignity? Thus we are always attentive to all the answers that can be brought to these fundamental questions.
And rest assured, Most Holy Father, that all the French, myself first of all, will listen to you with the greatest interest. I want to reaffirm my attachment to this listening, whose vocation is to nourish a demanding dialogue with the Catholic Church, as with all other faiths, with believers as with non-believers, with all the philosophical and humanist traditions that make up our country. Because the Republic does not fear free consciences, because our Nation draws strength from the necessary dialogue among all opinions, while remaining faithful to our humanism, to our attachment to human dignity, basing our decisions on science while watching over the most fragile.
Most Holy Father, I express the wish that these few days allow you to meet France in all its truth, its strengths, its diversity, its debates. A France imbued with spirituality and always seeking the universal. An emancipated France, attached to its project of liberty, equality and fraternity, diverse and united. An engaged France, sensitive to your presence, and whose fervour you will feel. Most Holy Father, it is this France that receives you today with great humility, with great honour and a very great joy. Welcome.