THE CROSSING TIME
Edição nº XX · 14 de setembro de 2026 · MobilidadeÉdition nº XX · 14 septembre 2026 · Mobilité
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A travessia de Bruno e o alerta que a irmã não quer que se percaLa traversée de Bruno et l'alerte que sa sœur ne veut pas voir oubliée

Bruno, 28 anos, deixou o Brasil rumo a Paris para custear o tratamento da filha pequena. Quando parou de responder às mensagens, a família percebeu que quase nada sabia sobre a vida dele na França, e enfrentou dois meses de buscas por três países. Sua irmã, Beatriz, conta a história e faz um apelo. Bruno morreu por suicídio.Bruno, 28 ans, a quitté le Brésil pour Paris afin de financer les soins de sa petite fille. Quand il a cessé de répondre, sa famille a réalisé qu'elle ne savait presque rien de sa vie en France, et a affronté deux mois de recherches à travers trois pays. Sa sœur, Beatriz, raconte l'histoire et lance un appel. Bruno est mort par suicide.
Bruno, 28 anos. Foto: acervo da família.Bruno, 28 ans. Photo : archives de la famille.
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Por Anne Lopes, THE CROSSING TIMEPar Anne Lopes, THE CROSSING TIMEParisParis
Segunda-feira, 14 de setembro de 2026Lundi, 14 septembre 2026 Paris · ComunidadeParis · Communauté Tempo de leitura: 8 minTemps de lecture : 8 min

Bruno Fernando Rego, conhecido como Bruno Fernando, tinha um motivo muito claro para estar em Paris. A filha, ainda pequena, vive com sequelas neurológicas graves. Ela já havia conseguido uma vaga num hospital público muito bom e renomado, com tratamento gratuito e até transporte oferecido pela prefeitura, que a buscava em casa. A família, porém, queria ir além: complementar esse acompanhamento com terapias adicionais, para ampliar as chances de reverter as sequelas. Foi por isso que Bruno fez o que muitos brasileiros fazem: atravessou o oceano atrás de trabalho. Aos 28 anos, dirigia por aplicativo 14, 15 horas por dia. "Ele sabia que precisava se empenhar naquele momento", diz a irmã, Beatriz Rego, em entrevista à THE CROSSING TIME.Bruno Fernando Rego, connu comme Bruno Fernando, avait une raison très précise d'être à Paris. Sa fille, encore petite, vit avec de graves séquelles neurologiques. Elle avait déjà obtenu une place dans un hôpital public excellent et réputé, avec des soins gratuits et même un transport offert par la mairie, qui venait la chercher chez elle. La famille voulait toutefois aller plus loin : compléter ce suivi par des thérapies supplémentaires, pour augmenter les chances d'inverser les séquelles. C'est pour cela que Bruno a fait ce que font beaucoup de Brésiliens : il a traversé l'océan pour trouver du travail. À 28 ans, il conduisait pour une application 14, 15 heures par jour. « Il savait qu'il devait tout donner à ce moment-là », dit sa sœur, Beatriz Rego, dans un entretien avec THE CROSSING TIME.

Vídeo · The Crossing TimeVidéo · The Crossing Time

Esta é a história que Beatriz decidiu contar. É também um alerta que ela pede para não se perder: sobre o que significa viver longe, sem que ninguém por perto saiba onde você mora; sobre as paredes que uma família enfrenta quando alguém desaparece em outro país; e sobre a dor que muita gente carrega em silêncio, atrás de um sorriso. Bruno morreu por suicídio, e a família autorizou a THE CROSSING TIME a contar essa história e a dizê-lo abertamente. Beatriz aceitou falar para que a memória do irmão sirva a outras famílias, e para que ninguém tenha de repetir o caminho que a dela percorreu.C'est l'histoire que Beatriz a décidé de raconter. C'est aussi une alerte qu'elle demande de ne pas laisser se perdre : sur ce que signifie vivre loin, sans que personne autour ne sache où l'on habite ; sur les murs qu'une famille affronte quand quelqu'un disparaît dans un autre pays ; et sur la douleur que beaucoup portent en silence, derrière un sourire. Bruno est mort par suicide, et la famille a autorisé THE CROSSING TIME à raconter cette histoire et à le dire ouvertement. Beatriz a accepté de parler pour que la mémoire de son frère serve à d'autres familles, et pour que personne n'ait à refaire le chemin que la sienne a parcouru.

Se você precisa de ajudaSi vous avez besoin d'aide

Se você está passando por sofrimento emocional ou pensando em desistir da vida, procure ajuda. É gratuito, sigiloso e existe agora:Si vous traversez une souffrance émotionnelle ou pensez à en finir, cherchez de l'aide. C'est gratuit, confidentiel et disponible maintenant :

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  • 🇵🇹 Portugal, SNS 24: 808 24 24 24Portugal, SNS 24 : 808 24 24 24 (24h) e SOS Voz Amiga: 213 544 545 (todos os dias, 15h30–00h30)(24h) et SOS Voz Amiga : 213 544 545 (tous les jours, 15h30–00h30)
  • 🆘 Emergência imediata: 112Urgence immédiate : 112 (Europa) · 192 SAMU (Brasil)(Europe) · 192 SAMU (Brésil)
I · Quem era BrunoI · Qui était Bruno

"Ele ensinou que família não é sangue"« Il a appris que la famille, ce n'est pas le sang »

Bruno entrou na vida de Beatriz quando ela tinha pouco mais de um ano. É irmão adotado, e, para ela, essa é a primeira coisa importante a dizer. "Ele ensinou que família não é sangue, é quem a gente considera família", conta. A casa sempre foi unida, do jeito de qualquer família: com brigas e reconciliações, mas com alguém a quem recorrer quando as coisas apertavam.Bruno est entré dans la vie de Beatriz quand elle avait un peu plus d'un an. C'est un frère adopté, et, pour elle, c'est la première chose importante à dire. « Il a appris que la famille, ce n'est pas le sang, c'est ceux qu'on considère comme sa famille », raconte-t-elle. La maison a toujours été soudée, comme toute famille : avec des disputes et des réconciliations, mais avec quelqu'un vers qui se tourner quand ça devenait dur.

Bruno em Paris, diante da Torre Eiffel. Foto: acervo da família.Bruno à Paris, devant la Tour Eiffel. Photo : archives de la famille.

Ela o descreve como o oposto de si mesma: onde Beatriz era tímida e reservada, Bruno era expansivo, brincalhão, do tipo que faz piada com quem acabou de conhecer e conquista qualquer ambiente. "Ele trazia alegria para qualquer lugar. Se precisava fazer, vamos fazer; se precisava de dinheiro, vamos correr atrás." Era essa energia que o levava a trabalhar até tarde em Paris, e era essa mesma energia que, agora, Beatriz quer que fique na memória de quem o conheceu.Elle le décrit comme son opposé : là où Beatriz était timide et réservée, Bruno était expansif, farceur, du genre à plaisanter avec quelqu'un qu'il venait de rencontrer et à conquérir n'importe quelle pièce. « Il apportait de la joie partout. S'il fallait faire, on faisait ; s'il fallait de l'argent, on courait après. » C'est cette énergie qui le faisait travailler tard à Paris, et c'est cette même énergie que Beatriz veut aujourd'hui laisser dans la mémoire de ceux qui l'ont connu.

A primeira ida de Bruno à França foi por volta de 2021. A família já havia viajado para fora antes, mas essa foi a primeira viagem internacional que ele fez sozinho e a trabalho. Ficou um tempo, voltou ao Brasil e, em setembro de 2025, retornou a Paris, desta vez com um objetivo definido: juntar dinheiro para complementar o tratamento da filha e ampliar as chances de reverter as sequelas.Le premier voyage de Bruno en France remonte à 2021. La famille avait déjà voyagé à l'étranger, mais ce fut le premier voyage international qu'il fit seul et pour le travail. Il est resté un temps, est rentré au Brésil, puis, en septembre 2025, est revenu à Paris, cette fois avec un objectif précis : réunir de l'argent pour compléter le traitement de sa fille et augmenter les chances d'inverser les séquelles.

II · O desaparecimentoII · La disparition

Quando o silêncio virou alarmeQuand le silence est devenu alarme

Bruno falava com os pais quase toda semana e, com o melhor amigo, no Brasil, todos os dias. Numa quinta-feira do início de julho de 2026, escreveu à mãe dizendo que as coisas não estavam fáceis. Ela respondeu com o que uma mãe responde: força, fé, cada problema tem seu tempo. No sábado, ele parou de responder a todo mundo. No domingo, também. Na segunda-feira, o amigo do Brasil ligou para a família: o Bruno não respondia. Foi ali que o silêncio virou alarme.Bruno parlait à ses parents presque chaque semaine et, avec son meilleur ami au Brésil, tous les jours. Un jeudi du début de juillet 2026, il a écrit à sa mère que les choses n'étaient pas faciles. Elle a répondu ce qu'une mère répond : du courage, de la foi, chaque problème a son temps. Le samedi, il a cessé de répondre à tout le monde. Le dimanche aussi. Le lundi, l'ami du Brésil a appelé la famille : Bruno ne répondait plus. C'est là que le silence est devenu alarme.

E então veio a descoberta que Beatriz faz questão de transformar em aviso. A família não tinha o endereço de Bruno em Paris. Não sabia com quem ele morava, nem tinha o contato de amigos ou colegas de trabalho. Tudo teve de ser reconstruído do zero: entrar no Instagram dele, ver quem seguia, mandar mensagem "às cegas" para pessoas que talvez o conhecessem. "Parece uma coisa muito absurda", diz ela. "Eu moro em Portugal há quatro anos e minha mãe não sabia o endereço de onde eu moro. Fui ter essa atenção agora."Puis est venue la découverte que Beatriz tient à transformer en avertissement. La famille n'avait pas l'adresse de Bruno à Paris. Elle ne savait pas avec qui il vivait, n'avait le contact d'aucun ami ni collègue de travail. Tout a dû être reconstruit de zéro : entrer sur son Instagram, regarder qui il suivait, envoyer des messages « à l'aveugle » à des gens qui le connaissaient peut-être. « Ça paraît absurde », dit-elle. « Je vis au Portugal depuis quatre ans et ma mère ne connaissait pas l'adresse où j'habite. Je m'en suis souciée seulement maintenant. »

"Deixe um contato de referência com alguém de confiança. Seu endereço, onde você trabalha, o nome de um amigo. Numa emergência, a sua família precisa saber por onde começar a procurar."« Laissez un contact de référence à quelqu'un de confiance. Votre adresse, votre lieu de travail, le nom d'un ami. En cas d'urgence, votre famille doit savoir par où commencer à chercher. »

Beatriz Rego, irmã de BrunoBeatriz Rego, sœur de Bruno

Quando finalmente localizou as pessoas com quem o irmão dividia moradia, a família ouviu que Bruno tinha sido visto pela última vez num domingo: apareceu, tomou banho e saiu, calado e quieto, o oposto do agitado de sempre. Foi a última vez que alguém o viu.Quand elle a enfin retrouvé les personnes avec qui son frère partageait un logement, la famille a appris que Bruno avait été vu pour la dernière fois un dimanche : il est passé, a pris une douche et est reparti, silencieux, à l'opposé de son habituelle vivacité. C'est la dernière fois qu'on l'a vu.

III · As paredesIII · Les murs

Duas semanas, três países e muitas portas fechadasDeux semaines, trois pays et beaucoup de portes fermées

O que se seguiu, no relato de Beatriz, foram cerca de dois meses de buscas intensas e de respostas que ela descreve como "muito vazias". As buscas começaram em 6 de julho e só terminaram em 7 de setembro de 2026, quando a família recebeu a notícia de que o corpo havia sido encontrado. A queixa de desaparecimento acabou registrada primeiro em Portugal, que a comunicou à França. A família procurou a polícia, os consulados do Brasil e de Portugal, e uma associação de apoio. Segundo Beatriz, a comunicação foi lenta e confusa, e ela sentiu, no começo, que o caso não recebia a urgência que uma pessoa desaparecida exige.Ce qui a suivi, dans le récit de Beatriz, ce sont environ deux mois de recherches intenses et de réponses qu'elle décrit comme « très vides ». Les recherches ont commencé le 6 juillet et n'ont pris fin que le 7 septembre 2026, quand la famille a appris que le corps avait été retrouvé. La déclaration de disparition a d'abord été enregistrée au Portugal, qui l'a transmise à la France. La famille s'est tournée vers la police, les consulats du Brésil et du Portugal, et une association d'aide. Selon Beatriz, la communication a été lente et confuse, et elle a senti, au début, que le dossier ne recevait pas l'urgence qu'exige une personne disparue.

Há um ponto que ela repete com indignação: pelo que lhe explicaram, a queixa não teria sido difundida em nível nacional. As buscas se concentraram em torno de Paris, hospitais, institutos médico-legais, delegacias da região. Quando uma unidade policial de outra cidade encontrou Bruno, diz Beatriz, o sistema não trazia a informação de que ele estava sendo procurado. Sem família na França, sem registro formal de trabalho, ele era, para a burocracia, quase invisível: a polícia que o encontrou não sabia a quem avisar, e a família não sabia que ele havia sido encontrado.Un point revient avec indignation : d'après ce qu'on lui a expliqué, l'avis de recherche n'aurait pas été diffusé au niveau national. Les recherches se sont concentrées autour de Paris, hôpitaux, instituts médico-légaux, commissariats de la région. Quand une unité de police d'une autre ville a retrouvé Bruno, dit Beatriz, le système n'indiquait pas qu'il était recherché. Sans famille en France, sans emploi déclaré, il était, pour l'administration, presque invisible : la police qui l'a retrouvé ne savait qui prévenir, et la famille ignorait qu'il avait été retrouvé.

"Um número de emergência tem de atender, e atender rápido. Ninguém que está vivendo uma emergência tem quinze minutos para ficar ligando."« Un numéro d'urgence doit répondre, et répondre vite. Personne qui vit une urgence n'a quinze minutes à passer à rappeler. »

Beatriz, sobre a dificuldade de conseguir apoio nos primeiros diasBeatriz, sur la difficulté à obtenir de l'aide les premiers jours

Beatriz também estranhou os limites da investigação: as câmeras públicas na França não usam reconhecimento facial, o sigilo bancário e a privacidade das mensagens são protegidos por lei, e a polícia não podia procurar a família nas redes sociais. Vindo do Brasil, onde a lógica é outra, ela viu naquilo pouco caso; do lado europeu, são regras de proteção de dados. As duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, e é justamente aí que uma família em desespero se perde. Em meio a tudo, ela guarda um gesto: foi uma pessoa ligada ao serviço público local (a prefeitura), e não a polícia, que, procurando a família pelas redes sociais, deu a notícia. "Ela sentiu que devia dar um desfecho diferente para aquela vida", diz Beatriz.Beatriz s'est aussi étonnée des limites de l'enquête : les caméras publiques en France n'utilisent pas la reconnaissance faciale, le secret bancaire et la confidentialité des messages sont protégés par la loi, et la police ne pouvait pas chercher la famille sur les réseaux sociaux. Venue du Brésil, où la logique est autre, elle y a vu de l'indifférence ; côté européen, ce sont des règles de protection des données. Les deux peuvent être vraies en même temps, et c'est précisément là qu'une famille désespérée se perd. Au milieu de tout cela, elle garde un geste : c'est une personne du service public local (la mairie), et non la police, qui, en cherchant la famille sur les réseaux sociaux, a annoncé la nouvelle. « Elle a senti qu'elle devait donner une issue différente à cette vie », dit Beatriz.

IV · O reencontroIV · Les retrouvailles

Uma identificação pela impressão digitalUne identification par empreinte digitale

Bruno foi encontrado numa cidade a cerca de uma hora de Paris. A família não pôde vê-lo, e a identificação foi feita pelas características físicas que já haviam descrito e pela impressão digital, a mesma que, meses antes, ficara registrada quando ele foi detido por dirigir sem habilitação válida na França (a carteira brasileira não vale por lá). Segundo Beatriz, a investigação e a autópsia concluíram que Bruno morreu por suicídio, sem sinais da participação de outra pessoa, a hipótese de homicídio foi descartada. Ele estava sem celular, sem carteira e sem documentos, o que ajuda a explicar por que a identificação dependeu da impressão digital. Por respeito à família e às boas práticas de cobertura responsável sobre suicídio, a THE CROSSING TIME não descreve o método nem as circunstâncias.Bruno a été retrouvé dans une ville à environ une heure de Paris. La famille n'a pas pu le voir, et l'identification s'est faite par les caractéristiques physiques déjà décrites et par l'empreinte digitale, la même qui, des mois plus tôt, avait été enregistrée lorsqu'il avait été interpellé pour avoir conduit sans permis valide en France (le permis brésilien n'y est pas valable). Selon Beatriz, l'enquête et l'autopsie ont conclu que Bruno est mort par suicide, sans signe de l'intervention d'une autre personne, l'hypothèse d'un homicide a été écartée. Il n'avait ni téléphone, ni portefeuille, ni papiers, ce qui explique en partie pourquoi l'identification a dû s'appuyer sur l'empreinte digitale. Par respect pour la famille et pour les bonnes pratiques de couverture responsable du suicide, THE CROSSING TIME ne décrit ni le moyen ni les circonstances.

Ela agradece à cidade que o encontrou por ter aguardado antes de encerrar o caso e por ter feito a autópsia que estabeleceu a causa da morte. Teve a sorte de falar com alguém que entendia português, o que tornou tudo menos árido. Agora, a família prepara a cremação: transladar o corpo seria caro demais e, de todo modo, não seria possível velá-lo. Não houve apoio do consulado para trazer o corpo; os custos são da família.Elle remercie la ville qui l'a retrouvé d'avoir attendu avant de clore le dossier et d'avoir réalisé l'autopsie qui a établi la cause du décès. Elle a eu la chance de parler à quelqu'un qui comprenait le portugais, ce qui a rendu tout moins aride. La famille prépare maintenant la crémation : rapatrier le corps coûterait trop cher et, de toute façon, une veillée ne serait pas possible. Il n'y a pas eu d'aide du consulat pour rapatrier le corps ; les frais sont à la charge de la famille.

V · Contra os boatosV · Contre les rumeurs

O que a irmã pede para corrigirCe que la sœur demande de corriger

Enquanto buscava o irmão, Beatriz viu circular, nas redes, informações que ela diz serem falsas, que Bruno usava drogas, que teria fugido para escapar de um mandado, que teria sido encontrado morto dentro de um apartamento. "Eu nunca disse isso", afirma sobre a última. Ela conta que existia, sim, um mandado, expedido em maio: mas não por um crime novo. Segundo ela, veio de um caso de 2024, pelo qual Bruno já havia pagado fiança, e o mandado surgiu apenas porque ele deixou de manter os dados atualizados (endereço, telefone) depois de ir para a França.Pendant qu'elle cherchait son frère, Beatriz a vu circuler, sur les réseaux, des informations qu'elle dit fausses, que Bruno se droguait, qu'il aurait fui pour échapper à un mandat, qu'il aurait été retrouvé mort dans un appartement. « Je n'ai jamais dit ça », affirme-t-elle à propos de la dernière. Elle raconte qu'il existait bien un mandat, émis en mai : mais pas pour un nouveau délit. Selon elle, il provenait d'une affaire de 2024, pour laquelle Bruno avait déjà payé une caution, et le mandat n'est apparu que parce qu'il a cessé de tenir ses coordonnées à jour (adresse, téléphone) après son départ pour la France.

Ela pede cautela com o que se lê e se repassa. "Uma pessoa que tem mandado no Brasil não sai do país; e quem já está na Europa não precisa fugir." O ponto de Beatriz é maior do que a defesa do irmão: um antecedente não deveria diminuir a urgência de procurar uma pessoa desaparecida. "A partir do momento em que alguém está desaparecido, o que importa é encontrá-lo." Ela também lamenta a frieza de parte das reações. Depois de anunciar que o irmão havia sido encontrado sem vida e que ainda não conseguia falar sobre, ouviu cobranças por explicações. "Alguém em luto não deve satisfação sobre a causa de uma morte. As pessoas estavam preocupadas com a notícia, não com a família."Elle appelle à la prudence sur ce qu'on lit et relaie. « Une personne recherchée au Brésil ne quitte pas le pays ; et qui est déjà en Europe n'a pas besoin de fuir. » Le propos de Beatriz dépasse la défense de son frère : un antécédent ne devrait pas diminuer l'urgence de rechercher une personne disparue. « À partir du moment où quelqu'un a disparu, ce qui compte, c'est de le retrouver. » Elle déplore aussi la froideur d'une partie des réactions. Après avoir annoncé que son frère avait été retrouvé sans vie et qu'elle n'arrivait pas encore à en parler, elle a subi des exigences d'explications. « Une personne en deuil ne doit de comptes à personne sur la cause d'une mort. Les gens s'inquiétaient de la nouvelle, pas de la famille. »

"É muito triste ver que a vida de alguém se resume à curiosidade das pessoas, e não ao cuidado e à preocupação de verdade."« C'est très triste de voir que la vie de quelqu'un se résume à la curiosité des gens, et non au soin et à l'inquiétude sincères. »

Beatriz RegoBeatriz Rego
VI · O que ficaVI · Ce qui reste

"Quem sorri não está necessariamente sorrindo por dentro"« Qui sourit ne sourit pas forcément à l'intérieur »

Beatriz diz que o irmão convivia com um sofrimento antigo e que raramente aceitava ajuda. É por isso que ela insiste no recado, ainda mais neste mês de Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio. "A pessoa que sorri não necessariamente está sorrindo por dentro." Ela pede que as pessoas olhem umas para as outras com mais cuidado, que parem para ouvir quando alguém diz, mesmo de leve, que está cansado.Beatriz dit que son frère vivait avec une souffrance ancienne et qu'il acceptait rarement de l'aide. C'est pourquoi elle insiste sur ce message, plus encore en ce mois de Septembre Jaune, campagne de prévention du suicide. « Qui sourit ne sourit pas forcément à l'intérieur. » Elle demande que l'on se regarde les uns les autres avec plus d'attention, que l'on s'arrête pour écouter quand quelqu'un dit, même à demi-mot, qu'il est fatigué.

"Você parou para ouvir aquela pessoa? Para ouvir que ela estava cansada? Amanhã é um novo dia. Existem pessoas que se importam com você, por mais que você não saiba, você não está sozinho no mundo."« Vous êtes-vous arrêté pour écouter cette personne ? Pour entendre qu'elle était fatiguée ? Demain est un autre jour. Des gens tiennent à vous, même si vous l'ignorez, vous n'êtes pas seul au monde. »

Beatriz, o apelo que ela quer deixarBeatriz, l'appel qu'elle veut lancer

A ela mesma, resta uma certeza sobre a distância que a separou do irmão nos últimos tempos. "Esse afastamento não foi por nossa causa, foi por fatores externos. E isso não diminui o amor que eu sinto por ele." Quando pensa em como quer que Bruno seja lembrado, a resposta vem sem esforço: pela alegria, pelo carisma, pelo jeito de transformar qualquer ambiente. "Ele vai continuar sendo o meu menino. E vai ser sempre lembrado com carinho."À elle-même, il reste une certitude sur la distance qui l'a séparée de son frère ces derniers temps. « Cet éloignement n'était pas de notre fait, il était dû à des facteurs extérieurs. Et cela ne diminue pas l'amour que je ressens pour lui. » Quand elle pense à la façon dont elle veut que Bruno soit rappelé, la réponse vient sans effort : par la joie, le charisme, cette manière de transformer n'importe quel lieu. « Il restera mon petit garçon. Et il sera toujours rappelé avec tendresse. »

O alerta de Beatriz, em três gestosL'alerte de Beatriz, en trois gestes

1. Deixe com alguém de confiança o seu endereço, o local de trabalho e o contato de um amigo no país onde você vive. 2. Guarde os contatos das pessoas com quem seu familiar convive no exterior. 3. Ao primeiro sinal de que algo não vai bem, pergunte, ouça e ofereça ajuda, e lembre que os canais de apoio acima existem para você e para quem você ama.1. Laissez à une personne de confiance votre adresse, votre lieu de travail et le contact d'un ami dans le pays où vous vivez. 2. Conservez les contacts des personnes qui côtoient votre proche à l'étranger. 3. Au premier signe que quelque chose ne va pas, demandez, écoutez et proposez de l'aide, et souvenez-vous que les lignes d'aide ci-dessus existent pour vous et pour ceux que vous aimez.

Nota Editorial · Como esta matéria foi feitaNote éditoriale · Comment cet article a été fait

Esta reportagem se baseia em entrevista de Beatriz Rego, irmã de Bruno, à THE CROSSING TIME. Os relatos, avaliações e críticas, inclusive sobre a atuação de autoridades, da polícia e dos consulados, são o testemunho da família e não foram verificados de forma independente; os órgãos citados não foram ouvidos para esta versão, e a THE CROSSING TIME está aberta a publicar suas respostas. Por respeito à privacidade, a filha de Bruno não é identificada. A família autorizou a THE CROSSING TIME a falar abertamente sobre a causa da morte; ainda assim, seguindo as boas práticas de cobertura responsável sobre suicídio, que existem para proteger outros leitores vulneráveis do "efeito contágio", a THE CROSSING TIME optou por não descrever o método nem as circunstâncias. Se você está em sofrimento, procure os canais de apoio indicados nesta página. As fotografias são do acervo da família, cedidas e autorizadas para esta publicação. A família confirmou o nome completo (Bruno Fernando Rego) e autorizou o uso da imagem.Ce reportage repose sur un entretien de Beatriz Rego, sœur de Bruno, avec THE CROSSING TIME. Les récits, appréciations et critiques, y compris sur l'action des autorités, de la police et des consulats, constituent le témoignage de la famille et n'ont pas été vérifiés de façon indépendante ; les organismes cités n'ont pas été entendus pour cette version, et THE CROSSING TIME est prête à publier leurs réponses. Par respect de la vie privée, la fille de Bruno n'est pas identifiée. La famille a autorisé THE CROSSING TIME à parler ouvertement de la cause du décès ; néanmoins, conformément aux bonnes pratiques de couverture responsable du suicide, qui existent pour protéger d'autres lecteurs vulnérables de « l'effet de contagion », THE CROSSING TIME a choisi de ne décrire ni le moyen ni les circonstances. Si vous souffrez, contactez les lignes d'aide indiquées sur cette page. Les photographies proviennent des archives de la famille, fournies et autorisées pour cette publication. La famille a confirmé le nom complet (Bruno Fernando Rego) et autorisé l’usage de son image.

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