A França registrou cerca de 1.000 mortes a mais do que o normal durante a recente onda de calor extremo, segundo dados preliminares divulgados pela Santé publique France no domingo, 28 de junho. O balanço, ainda não consolidado, cobre o período desde 24 de junho e, segundo a própria agência, tende a aumentar à medida que os números forem fechados.
O que dizem os números
De acordo com a Santé publique France, foram registrados mais de 1.200 óbitos (por todas as causas) em 24 de junho e mais de 1.400 por dia em 25 e 26 de junho — sendo que os dados do dia 26 ainda não estavam finalizados. Como comparação, a média diária em abril e maio ficava entre 900 e 1.000 mortes. Assim, desde 24 de junho, observou-se um excesso de cerca de mil óbitos em relação aos meses anteriores. O aumento foi mais pronunciado nas regiões que estiveram em alerta vermelho: Île-de-France, Nouvelle-Aquitaine, Bretanha, Centre-Val de Loire, Normandia e Pays de la Loire.
Um ponto importante: ao contrário do que se costuma supor, a agência ressaltou que o excesso de mortes atingiu todas as faixas etárias — sinal de que o calor extremo pode afetar a população inteira, e não apenas os mais velhos. Ainda assim, idosos isolados, pessoas com doenças crônicas e quem vive em moradias mal adaptadas ao calor seguem entre os mais expostos, com mortes observadas em hospitais, casas de repouso e domicílios.
Uma canícula de "severidade excepcional"
O episódio, que começou em 17 de junho, é classificado pela Météo-France como de severidade excepcional, superando em intensidade a canícula de agosto de 2003 — aquela que causou cerca de 15 mil mortes na França e se tornou um marco sanitário no país. O dia 23 de junho figura entre os mais quentes já medidos em território francês, e mais de 50 departamentos passaram dos 40°C ao longo do episódio, com dezenas em vigilância vermelha — algo inédito. Em Pissos, nos Landes, o termômetro chegou a 44,3°C em 23 de junho: um recorde absoluto para o departamento (o recorde nacional, de 46°C, foi registrado em 2019). Paris ultrapassou os 40°C, marca rara na capital, e o país viveu algumas das noites mais quentes já medidas.
São dados preliminares. O número final da sobremortalidade será, muito provavelmente, bem mais alto — e só ficará claro quando os registros forem consolidados.
Leitura dos dados · Santé publique France
Um desafio de saúde pública
Especialistas alertam que episódios de calor extremo se tornam mais frequentes, intensos e duradouros na Europa. A canícula deixou de ser apenas uma questão meteorológica: hoje é um desafio de saúde pública, habitação, infraestrutura urbana, transporte e adaptação climática. Enquanto a França consolida os dados nos próximos dias, a prevenção segue sendo a principal ferramenta para reduzir o impacto humano.
O que as autoridades recomendam
- Beber água regularmente, mesmo sem sede.
- Evitar a exposição ao sol e o esforço físico nas horas mais quentes.
- Procurar locais frescos ou climatizados; arejar à noite, quando refresca.
- Manter contato com idosos, pessoas isoladas e vulneráveis.
- Procurar ajuda médica e acionar a emergência em caso de mal-estar grave.
Nota editorial. Dados preliminares e não consolidados, atribuídos à Santé publique France; o balanço final pode ser revisado para cima. Informações meteorológicas atribuídas à Météo-France (valores provisórios). Optamos por não afirmar uma faixa etária predominante para este episódio, já que a agência destacou que o excesso de mortes atingiu todas as idades.
Esta edição usa arte tipográfica original, sem fotografias de terceiros; por se tratar de um balanço de mortes, evitou-se ilustrar com imagens de pessoas ou de vítimas. Cette édition utilise une création typographique originale, sans photographies de tiers ; s’agissant d’un bilan de décès, nous avons évité d’illustrer par des images de personnes ou de victimes.