THE CROSSING TIME
Edição nº XX · 25 de agosto de 2026 · TransformationÉdition nº XX · 25 août 2026 · Transformation
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França · Estudantes estrangeirosFrance · Étudiants étrangers

A conta que não fechaLe compte n'y est plus

A França cortou o auxílio-moradia de cerca de 100 mil estudantes de fora da União Europeia e, semanas depois, elevou o valor que eles precisam comprovar para manter o visto. Para os brasileiros que sonham com um diploma francês, a rentrée de 2026 chegou mais cara — e mais incerta.La France a supprimé l'aide au logement d'environ 100 000 étudiants extracommunautaires puis, quelques semaines plus tard, relevé le montant de ressources qu'ils doivent justifier pour conserver leur titre de séjour. Pour les Brésiliens qui rêvent d'un diplôme français, la rentrée 2026 est plus chère — et plus incertaine.
Estudantes internacionais na volta às aulas: para os brasileiros, a rentrée de 2026 chegou mais cara. Imagem ilustrativa — crédito a confirmar.Étudiants internationaux à la rentrée : pour les Brésiliens, 2026 coûte plus cher. Image d'illustration — crédit à confirmer.
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Redação — THE CROSSING TIMELa rédaction — THE CROSSING TIMEParisParis
Segunda-feira, 25 de agosto de 2026Lundi, 25 août 2026 Paris · Rentrée 2026Paris · Rentrée 2026 Tempo de leitura: 7 minTemps de lecture : 7 min

Franck fez as contas de cabeça, do jeito que aprendeu a fazer desde que trocou o Togo por um quarto de estudante em Lille. Trinta euros de auxílio-moradia por mês. Trezentos e sessenta por ano. Não é uma fortuna — não paga sequer o primeiro mês de aluguel de um apartamento decente numa cidade universitária francesa. Mas, para quem vive no limite, trinta euros são a diferença entre fechar o mês e começar o seguinte devendo.Franck a fait ses comptes de tête, comme il a appris à le faire depuis qu'il a quitté le Togo pour une chambre d'étudiant à Lille. Trente euros d'aide au logement par mois. Trois cent soixante par an. Ce n'est pas une fortune — cela ne couvre même pas le premier mois de loyer d'un logement correct dans une ville universitaire française. Mais, pour qui vit au plus juste, trente euros font la différence entre boucler le mois et commencer le suivant à découvert.

“Fico um pouco preocupado”, disse o estudante de engenharia, em depoimento à imprensa francesa. “Se eu não conseguir a isenção, não sei como vou fazer.” Franck é um entre aproximadamente 100 mil estudantes estrangeiros que, desde 1º de julho, deixaram de ter direito à Aide personnelle au logement (APL), o auxílio-moradia que por décadas funcionou como um colchão discreto para quem estuda na França sem uma rede familiar por perto. A medida atinge um grupo bem definido: estudantes de fora da União Europeia, do Espaço Econômico Europeu e da Suíça que não recebem bolsa social do CROUS. Ou seja, a imensa maioria dos brasileiros que desembarcam todos os anos com uma carta de aceitação e a esperança de que a matemática, no fim, feche.« Je suis un peu inquiet », confie l'étudiant en ingénierie à la presse française. « Si je n'obtiens pas l'exonération, je ne sais pas comment je vais faire. » Franck fait partie des quelque 100 000 étudiants étrangers qui, depuis le 1er juillet, n'ont plus droit à l'Aide personnelle au logement (APL), ce coup de pouce discret qui a servi pendant des décennies de filet à ceux qui étudient en France sans famille à proximité. La mesure vise un public précis : les étudiants hors Union européenne, Espace économique européen et Suisse qui ne perçoivent pas de bourse sur critères sociaux du CROUS. Autrement dit, la grande majorité des Brésiliens qui débarquent chaque année avec une lettre d'admission et l'espoir que les comptes, au bout du compte, tomberont juste.

Ela não fecha mais tão facilmente. E a APL foi só o primeiro golpe de um verão que remodelou, em silêncio administrativo, as regras do jogo para o estudante estrangeiro na França.Ils ne tombent plus si facilement. Et l'APL n'a été que le premier coup d'un été qui a rebattu, dans le silence administratif, les règles du jeu pour l'étudiant étranger en France.

~100 mil
Estudantes estrangeiros que perderam a APLÉtudiants étrangers privés de l'APL
877,50 €
Novo piso mensal de recursos para o visto (47% do SMIC)Nouveau seuil mensuel de ressources pour le titre (47 % du SMIC)
~1/3
De 300 mil estudantes internacionais, a fatia atingidaSur 300 000 étudiants internationaux, la part touchée
5 700+
Estudantes brasileiros na França (2024-2025)Étudiants brésiliens en France (2024-2025)
I · O apertoI · Le tour de vis

Duas mudanças, um mesmo apertoDeux mesures, un même tour de vis

O que aconteceu entre julho e agosto de 2026 precisa ser lido em conjunto, porque é assim que ele chega ao bolso de quem vive a situação. A primeira mudança é o fim da APL para estudantes extracomunitários não bolsistas. A base legal está na lei de finanças de 2026 e foi detalhada pelo Decreto nº 2026-552, de 27 de junho, com vigência a partir de 1º de julho. O Conselho Constitucional já havia validado o dispositivo em 19 de fevereiro. Na prática, dos cerca de 300 mil estudantes internacionais no país, aproximadamente um terço perde o benefício de uma só vez.Ce qui s'est joué entre juillet et août 2026 doit se lire ensemble, car c'est ainsi que cela atteint le porte-monnaie des intéressés. La première mesure, c'est la fin de l'APL pour les étudiants extracommunautaires non boursiers. La base légale figure dans la loi de finances 2026 et a été précisée par le décret n° 2026-552 du 27 juin, entré en vigueur le 1er juillet. Le Conseil constitutionnel avait validé le dispositif le 19 février. Concrètement, sur environ 300 000 étudiants internationaux, près d'un tiers perd l'aide d'un seul coup.

A segunda mudança é menos comentada, mas talvez mais decisiva na hora de renovar o título de residência. Desde 1º de agosto, o estudante estrangeiro precisa comprovar recursos financeiros mensais bem mais altos para obter ou renovar o titre de séjour “étudiant”. O piso subiu para o equivalente a 47% do salário mínimo francês bruto — cerca de 877,50 euros por mês —, contra algo em torno de 615 euros até então. A referência é o SMIC reajustado em 1º de junho, hoje em 1.867,02 euros brutos mensais; a atualização veio pelo Decreto nº 2026-526, de 22 de junho, e foi confirmada pelo Campus France. Some as duas: o estudante brasileiro precisa provar que tem mais dinheiro guardado para conseguir o visto e, ao mesmo tempo, perde a ajuda pública que aliviava o aluguel depois de instalado. O aperto entra pelas duas pontas.La seconde mesure est moins commentée, mais peut-être plus décisive au moment de renouveler son titre. Depuis le 1er août, l'étudiant étranger doit justifier de ressources mensuelles nettement plus élevées pour obtenir ou renouveler son titre de séjour « étudiant ». Le seuil est passé à l'équivalent de 47 % du SMIC brut — environ 877,50 euros par mois — contre quelque 615 euros auparavant. La référence est le SMIC revalorisé au 1er juin, aujourd'hui à 1 867,02 euros bruts mensuels ; l'actualisation est venue du décret n° 2026-526 du 22 juin, confirmée par Campus France. Additionnez les deux : l'étudiant brésilien doit prouver qu'il dispose de davantage d'argent pour obtenir son visa et, dans le même temps, perd l'aide publique qui allégeait son loyer une fois installé. L'étau se resserre par les deux bouts.

Contas refeitas na ponta do lápis: o novo piso de recursos vira condição do visto. Ilustrativa — crédito a confirmar.Des comptes refaits au crayon : le nouveau seuil de ressources devient condition du visa. Illustration — crédit à confirmer.
Sala de aula na França: excelência acadêmica que, em 2026, pede mais na entrada. Ilustrativa — crédito a confirmar.Salle de classe en France : une excellence qui, en 2026, demande davantage à l'entrée. Illustration — crédit à confirmer.
II · As exceçõesII · Les exceptions

Quem escapa — e quem fica de foraQui passe entre les mailles — et qui reste dehors

Há exceções, e conhecê-las é o que separa, para muita gente, continuar ou desistir. Seguem com direito à APL os estudantes que têm bolsa social do CROUS (o que, na prática, costuma exigir dois anos de residência na França), os que estão em contrato de aprendizagem ou alternância, os refugiados e apátridas, os cônjuges de estudantes internacionais e aqueles que comprovam uma atividade profissional paralela aos estudos. Segundo o ministério, bastaria demonstrar algumas horas de trabalho por semana — um critério que as associações estudantis consideram vago e de difícil comprovação para quem tem visto de estudante, cuja jornada é limitada por lei.Il existe des exceptions, et les connaître fait souvent la différence entre poursuivre et renoncer. Conservent le droit à l'APL les étudiants boursiers sur critères sociaux du CROUS (ce qui suppose, en pratique, deux ans de résidence en France), ceux en contrat d'apprentissage ou en alternance, les réfugiés et apatrides, les conjoints d'étudiants internationaux et ceux qui justifient d'une activité professionnelle en parallèle. Selon le ministère, quelques heures de travail par semaine suffiraient — un critère que les organisations étudiantes jugent flou et difficile à prouver pour qui détient un visa étudiant, dont le temps de travail est plafonné par la loi.

Um detalhe cruel para o público brasileiro: as bolsas Erasmus+ e as bolsas privadas ou de programas internacionais não contam para manter a APL. Só a bolsa social do CROUS abre a porta — e ela raramente está ao alcance de quem acabou de chegar.Détail cruel pour le public brésilien : les bourses Erasmus+ et les bourses privées ou de programmes internationaux ne comptent pas pour conserver l'APL. Seule la bourse sur critères sociaux du CROUS ouvre droit — et elle est rarement à portée de qui vient d'arriver.

III · A reaçãoIII · La réaction

“Uma medida que precariza ainda mais”« Une mesure qui précarise encore plus »

A reforma não passou sem barulho. Para a UNEF, principal sindicato estudantil francês, o corte chega no pior momento. “Estamos muito preocupados com a situação na volta às aulas, com estudantes que não terão como pagar um aluguel”, afirmou Manon Moret. A FAGE, outra grande federação, foi além do impacto financeiro e mirou o princípio: a medida, disse Suzanne Nijdam, organiza “uma preferência nacional entre os estudantes”. O GISTI, associação de referência na defesa dos direitos dos estrangeiros, classificou a decisão, em nota, como “xenófoba, perigosa e absurda”.La réforme n'est pas passée sans bruit. Pour l'UNEF, premier syndicat étudiant, la coupe tombe au pire moment. « Nous sommes très inquiets de la situation à la rentrée, avec des étudiants qui n'auront pas la capacité de payer un logement », affirme Manon Moret. La FAGE, autre grande fédération, vise le principe même : la mesure, dit Suzanne Nijdam, organise « une préférence nationale entre les étudiants ». Le GISTI, association de référence sur les droits des étrangers, la qualifie, dans un communiqué, de « xénophobe, dangereuse et absurde ».

Xenófoba, perigosa e absurda.Xénophobe, dangereuse et absurde.

GISTI, sobre o corte da APLLe GISTI, à propos de la suppression de l'APL

O contra-argumento do governo é orçamentário. Num ano em que o Executivo de Sébastien Lecornu tenta a todo custo conter o déficit e enfrenta pressão dos mercados — o mesmo pano de fundo que levou o primeiro-ministro a convocar um seminário de governo para 31 de agosto —, cada linha de despesa vira alvo. Segundo o relatório da Comissão de Finanças, os estudantes extracomunitários representam 12% dos beneficiários estrangeiros da APL. Cortar ali, na lógica do Tesouro, é economia rápida. O que a planilha não mostra é o rosto de quem sai da conta.Le contre-argument du gouvernement est budgétaire. Dans une année où l'exécutif de Sébastien Lecornu s'efforce de contenir le déficit et subit la pression des marchés — le même arrière-plan qui a conduit le Premier ministre à convoquer un séminaire gouvernemental le 31 août —, chaque ligne de dépense devient une cible. Selon le rapport de la commission des Finances, les étudiants extracommunautaires représentent 12 % des bénéficiaires étrangers de l'APL. Couper là, dans la logique de Bercy, c'est une économie rapide. Ce que le tableur ne montre pas, c'est le visage de ceux qui sortent du compte.

Sébastien Lecornu, chefe do Executivo francês, cujo governo busca conter o déficit — pano de fundo do corte da APL. Arquivo — crédito a confirmar.Sébastien Lecornu, chef de l'exécutif français, dont le gouvernement cherche à contenir le déficit — toile de fond de la coupe de l'APL. Archive — crédit à confirmer.
IV · O ângulo brasileiroIV · L'angle brésilien

Quantos de nós isso alcançaCombien d'entre nous sont concernés

Em 2024-2025, a França recebia mais de 5.700 estudantes brasileiros, segundo o Focus Brésil mais recente do Campus France — um número que a própria agência espera ver crescer, impulsionado por programas de cooperação consolidados como o BRAFITEC, na engenharia, e o BRAFAGRI, no agronegócio. São milhares de trajetórias que agora passam a depender de uma reserva financeira maior e de um orçamento mensal mais apertado. O estudante brasileiro típico não é filho de milionário: é quem juntou economias, contou com a ajuda da família e apostou num diploma europeu como investimento de vida. É exatamente esse perfil — classe média que se estica até o limite — que as duas mudanças de 2026 espremem com mais força.En 2024-2025, la France accueillait plus de 5 700 étudiants brésiliens, selon le dernier Focus Brésil de Campus France — un chiffre que l'agence s'attend à voir croître, porté par des programmes de coopération solides comme BRAFITEC, en ingénierie, et BRAFAGRI, dans l'agronomie. Ce sont des milliers de parcours qui dépendent désormais d'une réserve financière plus importante et d'un budget mensuel plus serré. L'étudiant brésilien type n'est pas fils de millionnaire : c'est celui qui a épargné, compté sur l'aide de sa famille et misé sur un diplôme européen comme investissement d'une vie. C'est précisément ce profil — une classe moyenne qui se tend jusqu'à la limite — que les deux mesures de 2026 pressent le plus fort.

E elas não vêm sozinhas. A França vinha, ao longo do ano, endurecendo de forma ampla as regras para estrangeiros: exame cívico obrigatório desde janeiro, exigência do nível A2 de francês para os títulos plurianuais, taxa padrão de 300 euros para vários documentos de residência. No ensino superior, os estudantes de fora da UE já pagam as frais différenciés — mensalidades majoradas de cerca de 2.900 euros anuais na licenciatura e 4.000 no mestrado —, com o percentual de isentos previsto para encolher de 30% para 20%. Cada camada, sozinha, parece suportável. Somadas, desenham um país mais caro e menos acolhedor para quem chega com uma mochila e um sonho.Et elles ne viennent pas seules. La France durcissait, tout au long de l'année, l'ensemble des règles pour les étrangers : examen civique obligatoire depuis janvier, niveau A2 de français exigé pour les titres pluriannuels, taxe de 300 euros pour plusieurs documents de séjour. Dans le supérieur, les étudiants hors UE acquittent déjà des frais différenciés — de l'ordre de 2 900 euros par an en licence et 4 000 en master —, la part des exonérés devant passer de 30 % à 20 %. Chaque couche, prise isolément, semble supportable. Additionnées, elles dessinent un pays plus cher et moins accueillant pour qui arrive avec un sac et un rêve.

O que fazer antes de embarcar (ou renovar)Que faire avant de partir (ou de renouveler)

  • Refaça o orçamento com o novo piso. Comprovar cerca de 877 euros mensais deixou de ser detalhe e passou a ser condição para o visto.Refaites votre budget avec le nouveau seuil. Justifier environ 877 euros mensuels n'est plus un détail, mais une condition du visa.
  • Verifique as exceções à perda da APL, sobretudo a atividade profissional paralela, e guarde toda a documentação.Vérifiez les exceptions à la perte de l'APL, notamment l'activité professionnelle en parallèle, et conservez tous vos justificatifs.
  • Confirme sempre nas fontes oficiais — Campus France, service-public.fr e o consulado — antes de qualquer decisão irreversível: os valores são indexados e podem ser reajustados.Confirmez toujours auprès des sources officielles — Campus France, service-public.fr et le consulat — avant toute décision irréversible : les montants sont indexés et peuvent être réévalués.

Richemond, estudante marfinense de economia que trabalhava 35 horas por semana para se manter, resumiu à imprensa francesa o sentimento que atravessa dormitórios e repúblicas nesta volta às aulas: “Eu não esperava por isso. Pagar essa quantia é impossível para uma família média.” Ele teme que muitos colegas simplesmente abandonem os estudos. A França continua sendo um destino de prestígio, de excelência acadêmica e de portas abertas para o mundo francófono. Mas, em 2026, ela pede mais na entrada e oferece menos depois de instalado. Para o estudante brasileiro, o diploma segue valendo a pena — só que a conta, agora, exige ser feita com a calculadora na mão e nenhuma linha deixada para depois.Richemond, étudiant ivoirien en économie qui travaillait 35 heures par semaine pour subvenir à ses besoins, a résumé à la presse française le sentiment qui traverse résidences et colocations en cette rentrée : « Je ne m'y attendais pas. Payer cette somme est impossible pour une famille moyenne. » Il craint que beaucoup de ses camarades n'abandonnent leurs études. La France reste une destination de prestige, d'excellence académique et une porte ouverte sur le monde francophone. Mais, en 2026, elle demande davantage à l'entrée et offre moins une fois installé. Pour l'étudiant brésilien, le diplôme vaut toujours la peine — sauf que le compte, désormais, se fait la calculatrice à la main, sans laisser aucune ligne pour plus tard.

Nota Editorial · VerificaçãoNote éditoriale · Vérification

Fontes: Campus France; Légifrance (Decretos nº 2026-526 e nº 2026-552; Conselho Constitucional, decisão 2026-901 DC); L'Étudiant; franceinfo; GISTI; Observalgérie; info.gouv.fr (SMIC, 1º jun. 2026). Depoimentos de estudantes reproduzidos a partir de reportagens da imprensa francesa. Valores em euros são indexados ao SMIC e podem ser reajustados — confirme sempre no Campus France e no service-public.fr antes de decidir. Fotografias ilustrativas; crédito a confirmar.Sources : Campus France ; Légifrance (décrets n° 2026-526 et n° 2026-552 ; Conseil constitutionnel, décision 2026-901 DC) ; L'Étudiant ; franceinfo ; GISTI ; Observalgérie ; info.gouv.fr (SMIC, 1er juin 2026). Témoignages d'étudiants repris de reportages de la presse française. Les montants en euros sont indexés sur le SMIC et peuvent être réévalués — vérifiez toujours auprès de Campus France et de service-public.fr avant de décider. Photographies d'illustration ; crédit à confirmer.

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